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Sobre Música Litúrgica


 

A música litúrgica nasceu e sempre deve nascer da Palavra. Ela deve ser a maneira expressiva pela qual a Palavra de Deus se encarna numa palavra humana. Fundamentalmente, a música litúrgica deve expressar não só o significado, mas também o sentimento autêntico do texto bíblico, para que este seja entendido e sentido e, por meio dele, todo o povo de Deus exprima sua oração em conjunto e sinta-se integrado no culto.
A música litúrgica faz parte integral do culto através dos cânticos e responsos congregacionais, dos cantos corais e da música instrumental.
A escolha dos hinos, dos salmos e dos responsos que serão cantados deve aprofundar-se nos princípios teológicos e litúrgicos da tradição reformada, atendendo às normas bíblicas por ela sempre defendidas. É preciso estar consciente da ação litúrgica como um todo, e do papel da música em cada momento do culto.
Quando o canto tem papel na ação litúrgica, ele interpreta, juntamente com a Palavra, o tema central do tempo litúrgico (Advento, Natal, Páscoa etc.); a função de cada momento litúrgico (adoração, confissão, gratidão, intercessão, comunhão, etc.); e o tipo de celebração (Batismo, Ordenação, Bênção Matrimonial etc.).
No conceito dos reformadores, os hinos são orações cantadas. Por isso, devemos ser criteriosos na escolha da música e das letras que serão dirigidas a Deus pelo seu povo, para que elas expressem a atitude de oração. Como orações, os hinos e responsos são dirigidos a Deus, que está presente de maneira ativa (falando, iluminando, perdoando, amando, julgando, sarando, salvando, enviando); por isso é importante o estilo direto.
Os responsos são mais curtos do que os hinos. São cantados nos vários momentos do culto, quando se requer uma resposta a Deus, por parte de todo o povo, em conjunto. Os responsos pertencem à congregação, podendo ser reforçados pelo coro; entretanto, jamais devem ser cantados somente pelo coro. A congregação deve aprender os responsos e cantá-los de cor, com todo o fervor e fé que a oração exige. O "Amém" sempre pertence ao povo.
O coral paz parte da assembléia e deve estar bem integrado na comunidade. Sua função não é a de um coro de concertos, mas de um membro atuante da assembléia reunida para adorar a Deus. O coral tem a função de guiar e apoiar a participação cantada do povo de Deus; de ensinar e acompanhar o canto congregacional (salmo, hinos e responsos); e de orar em favor da congregação, através dos intróitos e outras formas musicais.
A Palavra é proclamada não apenas pela leitura e pregação, mas também através do canto coral, cujos textos sempre devem ser baseados nas Escrituras. Para que a Palavra seja compreendida pelos fiéis, é preciso esmerar na dicção do texto cantado.
Os instrumentos têm, na igreja, a função de sustentar o canto, sem contudo encobri-lo.
A música essencial do culto é a vocal; os instrumentos devem servir apenas como apoio, com exceção do prelúdio e do poslúdio.
O prelúdio e o poslúdio são orações não verbais. Devem ter o caráter evocativo e de adoração. Eles devem ser interpretados com sinceridade de coração, como orações feitas em nome da congregação, como parte integrante da liturgia. Por sua vez, a congregação deve participar com reverência e receptividade.
A música instrumental no culto jamais deve ser usada para encobrir ruídos, mas sim, para desempenhar sua função litúrgica, no momento litúrgico apropriado.


 

 

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